# Doença Refsum da infância

> Página oficial: https://raras.org/doenca/doenca-refsum-da-infancia
> Fonte: Raras.org — Banco de Dados de Doenças Raras em Português (CC BY 4.0 — atribuição obrigatória: Raras.org, https://raras.org)
> Última revisão do verbete: 2026-09-22

## Identificadores

- **ORPHA**: 772 — https://www.orpha.net/en/disease/detail/772
- **CID-10**: G60.1
- **OMIM**: 202370 — https://omim.org/entry/202370

## Em linguagem simples

A doença do espectro de Zellweger é uma condição que afeta muitas partes do corpo. Os casos de doença do espectro de Zellweger são frequentemente categorizados como graves, intermediários ou leves.  Indivíduos com doença do espectro de Zellweger grave geralmente apresentam sinais e sintomas ao nascer, que pioram com o tempo. Esses bebês apresentam tônus muscular fraco (hipotonia), problemas de alimentação, perda auditiva e visual, e convulsões. Esses problemas são causados pela redução da mielina, que é a camada que protege os nervos e promove a transmissão eficiente dos impulsos nervosos. A parte do cérebro e da medula espinhal que contém mielina é chamada de substância branca. A redução da mielina (desmielinização) leva à perda da substância branca (leucodistrofia).  Crianças com doença do espectro de Zellweger grave também desenvolvem problemas que ameaçam a vida em outros órgãos e tecidos, como fígado, coração e rins, e seu fígado ou baço podem estar aumentados. Elas podem apresentar anomalias esqueléticas, incluindo um grande espaço entre os ossos do crânio (fontanelas) e manchas ósseas características conhecidas como condrodistrofia punctata, que podem ser vistas em radiografia. Pessoas afetadas podem ter anomalias oculares, incluindo opacificação das lentes dos olhos (catarata) ou movimentos involuntários, de lado a lado, dos olhos (nistagmo). A doença do espectro de Zellweger grave envolve características faciais distintivas, incluindo rosto achatado, ponte nasal larga, testa alta e olhos amplamente espaçados (hipertelorismo). Crianças com doença do espectro de Zellweger grave tipicamente não sobrevivem além do primeiro ano de vida.  Pessoas com doença do espectro de Zellweger intermediária ou leve apresentam características mais variáveis que progridem mais lentamente do que na forma grave. Crianças afetadas geralmente não desenvolvem sinais e sintomas da doença até a fase tardia da infância ou início da infância. Crianças com essas formas intermediárias e leves frequentemente apresentam hipotonia, problemas de visão, perda auditiva, disfunção hepática, atraso no desenvolvimento e algum grau de deficiência intelectual. A maioria das pessoas com a forma intermediária sobrevive até a infância, e aquelas com a forma leve podem alcançar a idade adulta. Em casos raros, indivíduos no extremo mais leve do espectro da condição apresentam atraso no desenvolvimento na infância e perda auditiva ou problemas de visão que surgem na idade adulta, sem desenvolver as demais características desse distúrbio.  As formas grave, intermediária e leve da doença do espectro de Zellweger foram, no passado, consideradas distúrbios distintos. A forma grave era conhecida como síndrome de Zellweger, a forma intermediária como adrenoleucodistrofia neonatal (NALD) e a forma leve como doença de Refsum infantil. Essas condições foram renomeadas como uma única condição quando se descobriu que faziam parte do mesmo espectro de condição.
- Fonte: MedlinePlus Genetics (NIH) — https://medlineplus.gov/genetics/condition/zellweger-spectrum-disorder

## Descrição clínica

A variante mais grave observada nos distúrbios da biogênese dos peroxissomos, que se caracteriza por defeitos de migração neuronal no cérebro, características craniofaciais dismórficas, hipotonia profunda, convulsões neonatais e disfunção hepática.

## Epidemiologia e herança

- **Prevalência**: Unknown
- **Padrão de herança**: Autosomal recessive

## Sinais e sintomas (271 fenótipos HPO)

- **Nistagmo** — HPO: HP:0000639 (Frequente (79-30%))
- **Colestase** — HPO: HP:0001396
- **Regurgitação mitral** — HPO: HP:0001653
- **Sopro cardíaco** — HPO: HP:0030148
- **Displasia renal policística** — HPO: HP:0000113
- **Concentração elevada de ácido tetracosanoico circulante** — HPO: HP:0034297
- **Concentração elevada de ácido hexacosanoico circulante** — HPO: HP:0034298
- **Fissura palatina** — HPO: HP:0000175
- **Catarata polar** — HPO: HP:0010696
- **Fontanela anterior aberta persistente** — HPO: HP:0004474
- **Hipoplasia cerebelar** — HPO: HP:0001321
- **Esplenomegalia** — HPO: HP:0001744
- **Mamilos hipoplásicos** — HPO: HP:0002557
- **Aumento da concentração circulante de lactato desidrogenase** — HPO: HP:0025435
- **Sofrimento fetal** — HPO: HP:0025116
- **Unha pequena** — HPO: HP:0001792
- **Atetose** — HPO: HP:0002305
- **Camptodactilia** — HPO: HP:0012385
- **Edema palpebral** — HPO: HP:0100540
- **Regurgitação tricúspide** — HPO: HP:0005180
- **Estado vegetativo** — HPO: HP:0031358
- **Crise de início generalizado** — HPO: HP:0002197
- **Testa proeminente** — HPO: HP:0011220
- **Bossas frontais** — HPO: HP:0002007
- **Esotropia** — HPO: HP:0000565
- **Paquigiria** — HPO: HP:0001302
- **Colpocefalia** — HPO: HP:0030048
- **Perseguição suave prejudicada** — HPO: HP:0007772
- **Formato facial anormal** — HPO: HP:0001999
- **Esteatorreia** — HPO: HP:0002570
- **Eletrorretinograma de cintilação anormal adaptado ao claro** — HPO: HP:0030473
- **Nível elevado de ácido tri-hidroxicolestanoico na urina** — HPO: HP:6000393
- **Sangramento anormal** — HPO: HP:0001892
- **Hiperoxalúria** — HPO: HP:0003159
- **Febre recorrente** — HPO: HP:0001954
- **Marcha na ponta dos pés** — HPO: HP:0030051
- **Constipação** — HPO: HP:0002019
- **Atrofia cerebral** — HPO: HP:0012444
- **Atrofia cerebelar** — HPO: HP:0001272
- **Dismetria** — HPO: HP:0001310
- _...e mais 231 sintomas. Ver https://raras.org/doenca/doenca-refsum-da-infancia._

## Genes associados (13)

- **PEX16** — Peroxisomal membrane protein PEX16 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Required for peroxisome membrane biogenesis. May play a role in early stages of peroxisome assembly. Can recruit other peroxisomal proteins, such as PEX3 and PMP34, to de novo peroxisomes derived from
- **PEX1** — Peroxisomal ATPase PEX1 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Component of the PEX1-PEX6 AAA ATPase complex, a protein dislocase complex that mediates the ATP-dependent extraction of the PEX5 receptor from peroxisomal membranes, an essential step for PEX5 recycl
- **PEX10** — Peroxisome biogenesis factor 10 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: E3 ubiquitin-protein ligase component of a retrotranslocation channel required for peroxisome organization by mediating export of the PEX5 receptor from peroxisomes to the cytosol, thereby promoting P
- **PEX12** — Peroxisome assembly protein 12 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Component of a retrotranslocation channel required for peroxisome organization by mediating export of the PEX5 receptor from peroxisomes to the cytosol, thereby promoting PEX5 recycling (PubMed:246622
- **PEX6** — Peroxisomal ATPase PEX6 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Component of the PEX1-PEX6 AAA ATPase complex, a protein dislocase complex that mediates the ATP-dependent extraction of the PEX5 receptor from peroxisomal membranes, an essential step for PEX5 recycl
- **PEX13** — Peroxisomal membrane protein PEX13 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Component of the PEX13-PEX14 docking complex, a translocon channel that specifically mediates the import of peroxisomal cargo proteins bound to PEX5 receptor (PubMed:28765278, PubMed:8858165, PubMed:9
- **PEX14** — Peroxisomal membrane protein PEX14 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Component of the PEX13-PEX14 docking complex, a translocon channel that specifically mediates the import of peroxisomal cargo proteins bound to PEX5 receptor (PubMed:24235149, PubMed:28765278, PubMed:
- **PEX11B** — Peroxisomal membrane protein 11B [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Involved in peroxisomal proliferation (PubMed:9792670). May regulate peroxisome division by recruiting the dynamin-related GTPase DNM1L to the peroxisomal membrane (PubMed:12618434). Promotes membrane
- **PEX19** — Peroxisomal biogenesis factor 19 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Necessary for early peroxisomal biogenesis. Acts both as a cytosolic chaperone and as an import receptor for peroxisomal membrane proteins (PMPs). Binds and stabilizes newly synthesized PMPs in the cy
- **PEX2** — Peroxisome biogenesis factor 2 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: E3 ubiquitin-protein ligase component of a retrotranslocation channel required for peroxisome organization by mediating export of the PEX5 receptor from peroxisomes to the cytosol, thereby promoting P
- **PEX3** — Peroxisomal biogenesis factor 3 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Involved in peroxisome biosynthesis and integrity. Assembles membrane vesicles before the matrix proteins are translocated. As a docking factor for PEX19, is necessary for the import of peroxisomal me
- **PEX5** — Peroxisomal targeting signal 1 receptor [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Receptor that mediates peroxisomal import of proteins containing a C-terminal PTS1-type tripeptide peroxisomal targeting signal (SKL-type) (PubMed:11101887, PubMed:11336669, PubMed:12456682, PubMed:16
- **PEX26** — Peroxisome assembly protein 26 [Disease-causing germline mutation(s) in]
  - Função: Peroxisomal docking factor that anchors PEX1 and PEX6 to peroxisome membranes (PubMed:12717447, PubMed:12851857, PubMed:16257970, PubMed:16763195, PubMed:16854980, PubMed:21362118). PEX26 is therefore

## Ensaios clínicos ativos (4)

- **NCT03440905** [COMPLETED]: Proxy-Reported Symptoms and Quality of Life Survey in Zellweger Spectrum Disorders — https://clinicaltrials.gov/study/NCT03440905
- **NCT01838941** [COMPLETED]: Betaine and Peroxisome Biogenesis Disorders — https://clinicaltrials.gov/study/NCT01838941
- **NCT00007020** [COMPLETED]: Compassionate Treatment of Patients With Inborn Errors of Bile Acid Metabolism With Cholic Acid — https://clinicaltrials.gov/study/NCT00007020
- **NCT00004442** [TERMINATED]: Study of Bile Acids in Patients With Peroxisomal Disorders — https://clinicaltrials.gov/study/NCT00004442

## Doenças relacionadas (por similaridade fenotípica)

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## Perguntas frequentes

### O que é a doença Refsum da infância?

É uma doença genética rara pertencente ao espectro de distúrbios da biogênese peroxissomal (PBD-ZSD). Ela afeta a formação dos peroxissomos celulares e compromete o desenvolvimento cerebral, a visão e a função de órgãos como fígado e rins.
- Fontes: [1] Orphanet (https://www.orpha.net/pt/disease/detail/772); [4] Human Phenotype Ontology (HPO) (https://hpo.jax.org); [23] MedlinePlus Genetics (NIH) — resumo em linguagem simples (domínio público) (https://medlineplus.gov/genetics/condition/zellweger-spectrum-disorder)

### A doença Refsum da infância é hereditária?

Sim, a condição tem padrão de herança autossômica recessiva. Ela se desenvolve quando a criança herda duas cópias com mutação de genes específicos da biogênese peroxissomal, como os genes da família PEX.
- Fontes: [1] Orphanet (https://www.orpha.net/pt/disease/detail/772); [2] OMIM 202370 (https://www.omim.org/entry/202370); [5] GenCC (https://search.thegencc.org)

### Quais são os principais sinais observados na infância?

Entre as manifestações mais comuns estão hipotonia acentuada, convulsões de início generalizado, nistagmo e movimentos anormais como atetose. Também podem estar presentes colestase no fígado, esteatorreia e características craniofaciais distintas como testa proeminente.
- Fontes: [1] Orphanet (https://www.orpha.net/pt/disease/detail/772); [4] Human Phenotype Ontology (HPO) (https://hpo.jax.org)

### Existe tratamento ou remédio dispensado pelo SUS?

A doença Refsum da infância não consta na lista oficial de PCDTs de doenças raras do Ministério da Saúde e não possui medicamentos específicos dispensados pelo SUS.
- Fontes: [20] Ministério da Saúde — lista oficial de PCDTs de doenças raras (consultada em 2026-09-20) — esta doença NÃO consta nela (https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/doencas-raras/pcdt)

### Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico inclui exames de sangue para detectar o acúmulo de ácidos graxos de cadeia muito longa e lactato desidrogenase. A confirmação pode ser realizada por meio de testes moleculares, constando no SUS o procedimento de sequenciamento completo do exoma.
- Fontes: [1] Orphanet (https://www.orpha.net/pt/disease/detail/772); [4] Human Phenotype Ontology (HPO) (https://hpo.jax.org); [20] Ministério da Saúde — lista oficial de PCDTs de doenças raras (consultada em 2026-09-20) — esta doença NÃO consta nela (https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/doencas-raras/pcdt); [21] NCBI GTR — 58 teste(s) genético(s) registrado(s) para esta doença (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/gtr/all/tests/?term=Infantile%20Refsum%20disease)

## Importante

O Raras **não diagnostica e não prescreve**. Esta página é educativa e informativa.
Pacientes devem consultar profissionais de saúde qualificados para decisões clínicas.

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**Citação sugerida**: Raras.org — Doença Refsum da infância. Disponível em: https://raras.org/doenca/doenca-refsum-da-infancia
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