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Disease Twin

10.468 cientistas autônomos · em produção · abertos

A primeira camada pública e agentic de conhecimento para cada doença rara. Aberta, fundamentada em fonte, endereçável por qualquer IA via MCP.

Andrej Karpathy diz que a próxima Wikipédia será um LLM agentic. Google construiu o seu AI Co-Scientist. Stanford montou o Virtual Lab. Sakana lançou o AI Scientist. Todos atrás de muros. Aqui está o nosso — para as doenças que ninguém vai financiar.
Autores · Dimas Timmers · Equipe Raras-AI
Data · Maio 2026
Resumo, em linguagem simples
Cada uma das 10.468 doenças raras catalogadas em Orphanet agora existe na nossa plataforma como uma entidade viva, não como uma página estática. Cinco agentes de IA trabalham nelas continuamente, de madrugada, todos os dias: um minera artigos científicos novos, outro extrai relações tipadas com auto-consistência, outro gera hipóteses mecanísticas de reposicionamento de medicamentos, outro descobre conexões implícitas entre genes causais e fármacos existentes, e o quinto verifica tudo contra o grafo de conhecimento antes que qualquer afirmação seja publicada. Toda alegação tem uma URL fonte oficial. Toda atividade aparece num diário público por doença. Qualquer assistente de IA — Claude, ChatGPT, Gemini — pode consultar o sistema diretamente via o Model Context Protocol. Sem dinheiro de farmacêutica. Sem permissão pedida.
O que está em jogo

O conhecimento médico passou de estático para agentic. A questão é quem é dono dele.

Por décadas, o conhecimento biomédico viveu em artefatos congelados: livros-texto, papers, registros oficiais. A Wikipédia foi o experimento mais ousado da era estática, e funcionou. Mas a era estática acabou.

Karpathy chama o próximo formato de "LLM Wiki": um substrato de conhecimento que pesquisa, reescreve e melhora a si mesmo, mantido por agentes que sabem ler, consultar fontes, e atualizar o registro com proveniência [1]. Em paralelo, Google Research lançou o AI Co-Scientist, um sistema multiagente que propõe, critica, ranqueia e evolui hipóteses científicas em ciclos generativos [2]. Stanford publicou o Virtual Lab, com um PI-agente coordenando especialistas para desenhar nanocorpos contra SARS-CoV-2 [3]. Sakana fechou o ciclo ideia → código → paper com o AI Scientist [4].

Todos impressionantes. Todos atrás de paywalls, corpora fechados, ou propósito explícito de descoberta interna em laboratório de pesquisa. Otimizados para as doenças que já recebem atenção.

Quem constrói a camada de conhecimento da medicina nessa transição decide quais condições serão visíveis para a próxima geração de IAs. Se a comunidade não construir a sua, três ou quatro empresas trilionárias vão construir por nós, monetizar, e decidir o que importa. Decidimos não esperar. Construímos a nossa para as doenças raras — o caso mais claro de um domínio pequeno demais para ser lucrativo e grande demais para ser ignorado.

O que construímos

Disease Twin é uma entidade computacional viva para cada doença rara do mundo. Não é uma página. Não é um documento. É um nó num grafo de conhecimento clínico (genes, fenótipos, medicamentos, vias metabólicas, ensaios clínicos, cobertura do SUS), envolvido por uma camada agentic de IA que faz três coisas continuamente:

  1. Lê a literatura — minera novos artigos, extrai relações tipadas, decide o que merece entrar no grafo.
  2. Gera hipóteses — propõe candidatos mecanísticos de reposicionamento de medicamentos a partir de genes causais e alvos farmacológicos conhecidos.
  3. Se autoverifica — toda alegação é checada contra fontes oficiais antes de ser publicada. Nada é inventado. Nada é mantido sem URL.

O resultado é visível em duas superfícies abertas:

  • Cada doença tem um diário público de pesquisa que mostra exatamente o que os agentes fizeram naquela doença na semana, no mês, no ano. É a anti-caixa-preta.
  • Qualquer assistente de IA na Terra (Claude, ChatGPT, Gemini, Copilot) pode consultar a doença diretamente via Model Context Protocol [5]. Não precisa scrapear. Não precisa de API privada. É uma chamada padrão.

Arquitetura em três camadas

O Disease Twin é deliberadamente simples de descrever e deliberadamente difícil de inventar. A arquitetura tem três camadas, cada uma com um princípio inegociável.

Camada 1 — O grafo de conhecimento clínico

A base é um grafo de propriedades em Neo4j, populado a partir de fontes abertas canônicas: Orphanet (catálogo de raras), Human Phenotype Ontology [6], MONDO, OMIM, ClinVar, Open Targets [7], PubTator3 [8], WikiPathways, ClinicalTrials.gov, e o sistema público de saúde brasileiro (DATASUS, CEAF, PCDT do SUS). O esquema segue Biolink Model [9], dump exportável em KGX, alinhado com o Monarch Initiative [10]. Casos clínicos individuais são representados em Phenopackets v2 [11]; descoberta federada usa Beacon v2 [12].

Princípio: nenhum nó é inventado. Cada entidade tem identificador estável (CURIE) e proveniência rastreável até a fonte original. A camada pública da doença é licenciada como CC0; dados de paciente jamais saem da carteira do paciente. Entre as duas, um limite k-anônimo.

Camada 2 — O co-cientista de 24 horas

Cinco agentes especializados rodam como jobs agendados, cada um com uma janela própria de "frescor" (cada doença é re-examinada quando seus dados específicos ficam obsoletos). Coletivamente, eles formam o que chamamos internamente de co-cientista:

1
Minerador de literatura

Puxa relações tipadas pré-extraídas do PubTator3 (associate, treat, cause, inhibit, stimulate, prevent, correlações positivas e negativas) e materializa cada uma como uma aresta tipada no grafo, com a lista de PMIDs como evidência.

2
Extrator LLM-as-judge

Inspirado em MedKGent [13]: usa um LLM para ler abstracts e extrair triplas tipadas com auto-consistência (a tripla só sobrevive se N execuções independentes concordarem). Cada extração precisa ancorar em entidades já existentes — genes por símbolo HGNC, medicamentos por nome ChEMBL, doenças por código Orphanet. Quem não ancora, não entra. Esse é o gate anti-alucinação.

3
Motor de hipóteses

Aplica guilt-by-association: se um medicamento é eficaz numa doença que compartilha genes causais com a sua, é candidato a investigação para a sua. Cada hipótese cita o gene compartilhado, a doença-fonte, e a fonte do uso atual. Não é recomendação clínica. É ponto de partida para o pesquisador humano.

4
Descoberta implícita (ABC de Swanson)

Implementa a ideia clássica de descoberta baseada em literatura de Don Swanson [14]: A→B→C, em que A é a doença, B é um gene causal, e C é um fármaco que mira B mas que a literatura ainda não conectou a A. Conexões implícitas que nenhum paper afirmou diretamente, mas que o grafo deixa visíveis.

5
Verificador KG-grounded

Inspirado em KGARevion [15]: antes de qualquer afirmação sair do sistema, ela é re-checada contra o grafo. Se a afirmação tem suporte, sai com a fonte. Se não tem, é rejeitada. O componente público mais visível dessa camada é o painel de transparência em raras.org/transparencia.

O design conversa com a linha do MedGraphRAG [16] e do HippoRAG [17]: grafo como memória de longo prazo do agente, recuperação multi-hop ponderada, evidência rastreável até o nível do trecho. Nossa camada de raciocínio sobre o grafo é fechada (é o nosso diferencial), mas a saída — toda saída — é fonte aberta.

Camada 3 — A superfície pública

Três interfaces tornam o trabalho dos agentes consumível pelo mundo:

  • Páginas de doença em raras.org/doencas. Cada uma mostra a literatura recente, os genes envolvidos, os tratamentos cobertos pelo SUS, e o diário de atividade dos agentes naquela doença. É o que um paciente, médico, ou cuidador vê.
  • Servidor MCP em raras.org/api/mcp. Conformidade total com a especificação Streamable HTTP [5]. Expõe ~20 ferramentas (busca, descrição de doença, evidências, hipóteses, similaridade fenotípica) + resource templates (disease://{orphaCode}) + um prompt padrão. Qualquer cliente MCP — Claude Desktop, ChatGPT Connectors, agentes customizados — pluga e consulta. Listado no Registry MCP oficial.
  • Dumps abertos em Zenodo (DOI persistente), Hugging Face Datasets, e KGX para integração com Monarch e o NCATS Biomedical Data Translator. Discoverabilidade via Bioregistry (prefixo raras), Croissant, e llms.txt.

Como mantemos honesto

A pergunta natural sobre qualquer sistema agentic é "ele alucina?". Nossa resposta é estrutural, não retórica.

(a) Tudo vem dos bancos canônicos. Nenhum dado é inventado por LLM. Todas as entidades do grafo vêm de uma allowlist canônica explícita declarada em um único arquivo do repositório aberto: Orphanet, HPO, OMIM, ClinVar, MONDO, GenCC, HGNC, Open Targets, ChEMBL, PubTator3, WikiPathways, Reactome, ClinicalTrials.gov, ReBEC, FDA, EMA, ANVISA, CONITEC, DOU (in.gov.br), bvsms.saude.gov.br, DATASUS, WHO. Adicionar uma fonte é um ato deliberado e revisável. Quatro gates sequenciais protegem a publicação: (1) filtro de domínio canônico antes do LLM ver qualquer fonte, (2) declaração obrigatória de citação por parágrafo, (3) validação cruzada dos índices citados contra a allowlist final, (4) decisão por cobertura — abaixo de 60% a página é bloqueada, entre 60% e 75% publica com flag de revisão, acima de 75% publica. Quando o extrator LLM-as-judge propõe uma tripla a partir de um abstract PubMed, ela só entra no grafo se ambos os endpoints já existem nesses bancos (gene por símbolo HGNC, medicamento por nome ChEMBL, doença por código Orphanet). Tripla sem âncora é descartada. Cada ação do LLM no grafo carrega createdBy e pode ser revertida em uma única query.

(b) Auto-consistência como confiança. Cada tripla passa por N execuções independentes do LLM em temperaturas diferentes. A confiança final é a fração de execuções em que a tripla apareceu. Triplas abaixo de um limiar são rejeitadas. Re-observações reforçam: r' = 1 - (1 - r) · (1 - r_novo), uma fórmula de combinação de evidência usada na linha MedKGent [13].

(c) Verificação como gate público. O painel de transparência mostra, por doença, o que foi verificado e o que foi rejeitado nas últimas 48 horas. Qualquer pessoa pode auditar. Nenhuma alegação de cobertura SUS é publicada sem URL de portaria DOU oficial ou da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. O princípio é inegociável: toda afirmação carrega sua fonte primária.

(d) Hipóteses são marcadas como hipóteses. O motor de reposicionamento e o ABC de Swanson geram candidatos para investigação, não recomendações clínicas. Cada cartão de hipótese carrega o aviso. Nenhuma rota da API mistura hipóteses com evidência verificada.

O que medimos no dia 1

O loop diário rodou pela primeira vez em produção esta semana. Em uma execução de aproximadamente três minutos, partindo de uma base já enriquecida, ele:

+400
doenças com novas hipóteses
de reposicionamento
+13
relações grounded
extraídas da literatura via LLM
39.370
arestas tipadas
de literatura no grafo
10.468
doenças endereçáveis
via MCP

Exemplos concretos de descobertas que o LLM extraiu e o grafo absorveu naquela execução: Glioblastoma → RFC4 associado, YY1 estimula RFC4, RFC4 causa resistência a temozolomida; Fibrose cística → elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor trata cystic fibrosis; Mieloma múltiplo → M-protein associado, serum free light chain ratio associado; Lúpus eritematoso sistêmico → hidroxicloroquina trata SLE e previne retinopatia; Lesão de medula espinhal → dexmedetomidina trata, Liproxstatin-1 inibe ferroptose. Cada uma com PMID de evidência. Cada uma reproduzível.

O loop está agendado para rodar todos os dias às 4 da manhã horário de Brasília, em cron no Cloud Run. A cada execução, novas doenças entram no slice. Em 120 dias o ciclo completa rotação pelo catálogo inteiro.

Por que aberto é a única opção

O Google AI Co-Scientist é privado. O Stanford Virtual Lab roda em laboratório acadêmico. O Sakana AI Scientist é produto. Nenhum dos três foi feito para o paciente raro, e não há razão estrutural para que algum dia seja. O custo marginal de servir uma doença com 50 pacientes no Brasil é o mesmo de servir uma com 50.000 pacientes nos EUA, mas a receita esperada é zero. Em qualquer sistema fechado, a doença raríssima sempre perde.

A camada que constrói o conhecimento agentic da medicina precisa ser uma commons. Aberta, auditável, governada pelas pessoas que vivem as condições. A licença CC0 na camada de doenças não é cosmética: é a fechadura aberta que impede que alguém compre a base e feche em cima. O modelo de wallet do paciente é simétrico: nenhum dado individual sai do bolso do paciente, mas o conhecimento sobre a condição é de todos.

Esse é o ponto político da arquitetura. A camada técnica só funciona se a camada de governança proteger contra captura. Por isso quem cria comunidades na plataforma são associações de pacientes, não usuários quaisquer; por isso o fundador dessa plataforma tem que ser um paciente; por isso o painel de transparência existe.

Como conectar

Se você é desenvolvedor, pesquisador, ou está construindo uma ferramenta de saúde com IA, o caminho mais curto para usar o Disease Twin é via MCP. Em qualquer cliente MCP-compatível, adicione o servidor:

claude mcp add raras --transport http https://raras.org/api/mcp

Depois disso, qualquer agente que use esse cliente pode chamar ferramentas como describe_disease, get_evidence, find_phenotypically_similar, get_hypotheses, analyze_clinical_case, search_diseases. Todas retornam dados estruturados com proveniência. Documentação técnica completa em raras.org/mcp.

Para integração mais profunda (KGX dump, Beacon v2, Phenopackets v2, SPARQL): raras.org/docs. Descoberta do servidor MCP em raras.org/.well-known/mcp. Repositório aberto: github.com/rarasAI/raras.

O que vem a seguir

Três frentes em desenvolvimento ativo agora, em paralelo ao loop diário em produção:

  • Camada de verificação 2.0 — estamos fechando o loop verify → revise → republish automaticamente para que, quando uma fonte oficial mudar, publicações afetadas sejam revertidas sem intervenção humana. É a próxima iteração do espírito KGARevion completo. Hoje o sistema verifica e marca; o gate de republicação já está sendo escrito.
  • Cobertura da literatura LLM — estamos ampliando a extração estilo MedKGent para a cauda longa de doenças com pouca literatura indexada por PubTator. É onde mora a contribuição mais original do co-cientista: relações que nenhum sistema automatizado tinha capturado ainda. As primeiras execuções já estão escrevendo no grafo (Glioblastoma, CF, Mieloma, Lúpus, lesão de medula, pré-eclâmpsia).
  • Federação — estamos preparando o servidor MCP para que outras instituições publiquem suas próprias Disease Twin shards e federemos consultas. A versão brasileira em SUS já está pronta para ser consultada lado a lado com versões europeias (ERDERA) ou norte-americanas (NCATS Translator). Ninguém precisa hospedar o mundo inteiro.

O ponto deste trabalho não é admirar o que construímos. É entregar o método. Karpathy diz que a próxima Wikipédia será um LLM agentic. A questão é quem é dono da camada. Nós escolhemos as doenças raras como prova de que comunidades podem construir e validar a sua, em produção, com fonte aberta, sem permissão. A receita é replicável para qualquer rede de conhecimento que o mercado decidiu esquecer.

Referências

  1. Karpathy, A. (2026). LLM Wiki — idea file. gist.github.com/karpathy/442a6bf555914893e9891c11519de94f
  2. Gottweis, J., Penadés, J. R. et al. (2025). Towards an AI co-scientist. arXiv:2502.18864. arxiv.org/abs/2502.18864
  3. Swanson, K. et al. (2024/2025). The Virtual Lab of AI agents designs new SARS-CoV-2 nanobodies. bioRxiv → Nature. biorxiv.org/content/10.1101/2024.11.11.623004v1
  4. Lu, C. et al. (2024). The AI Scientist: Towards Fully Automated Open-Ended Scientific Discovery. arXiv:2408.06292. arxiv.org/abs/2408.06292
  5. Anthropic (2024). Model Context Protocol — specification. modelcontextprotocol.io/specification
  6. Gargano, M., Matentzoglu, N., Köhler, S. et al. (2024). The Human Phenotype Ontology in 2024. Nucleic Acids Research 52(D1):D1333. doi.org/10.1093/nar/gkad1005
  7. Buniello, A., Ochoa, D. et al. (2025). Open Targets Platform: facilitating therapeutic hypotheses building. Nucleic Acids Research 53(D1):D1467. doi.org/10.1093/nar/gkae1128
  8. Wei, C.-H. et al. (2024). PubTator 3.0. Nucleic Acids Research 52(W1):W540. doi.org/10.1093/nar/gkae235
  9. Unni, D. R., Moxon, S. A. T., Mungall, C. J. et al. (2022). Biolink Model: A universal schema for KGs in biomedical science. Clin Transl Sci 15(8):1848. doi.org/10.1111/cts.13302
  10. Putman, T., Matentzoglu, N. et al. (2024). The Monarch Initiative in 2024. Nucleic Acids Research 52(D1):D938. doi.org/10.1093/nar/gkad1082
  11. Jacobsen, J. O. B. et al. (2022). The GA4GH Phenopacket schema. Nature Biotechnology 40:817–820. doi.org/10.1038/s41587-022-01357-4
  12. Rambla, J. et al. (2022). Beacon v2 and Beacon networks. Human Mutation 43(6):791–799. doi.org/10.1002/humu.24369
  13. Anonymous et al. (2025). MedKGent: LLM Agent Framework for Temporally Evolving Medical KG. arXiv:2508.12393. arxiv.org/abs/2508.12393
  14. Swanson, D. R. (1986). Fish Oil, Raynaud's Syndrome, and Undiscovered Public Knowledge. Perspectives in Biology and Medicine 30(1):7–18. doi.org/10.1353/pbm.1986.0087
  15. Su, X., Zitnik, M. et al. (2024). KGARevion: An AI Agent for Knowledge-Intensive Biomedical QA. arXiv:2410.04660 (NeurIPS 2024). arxiv.org/abs/2410.04660
  16. Wu, J. et al. (2024). Medical Graph RAG. arXiv:2408.04187. arxiv.org/abs/2408.04187
  17. Gutiérrez, B. et al. (2024). HippoRAG: Neurobiologically Inspired Long-Term Memory for LLMs. NeurIPS 2024 / arXiv:2405.14831. arxiv.org/abs/2405.14831