Doença rara autossômica dominante causada por mutações no gene PLIN1, caracterizada por lipodistrofia parcial, resistência à insulina e esteatose hepática. Pode cursar com abortos espontâneos, AVC e diabetes mellitus.
Introdução
O que você precisa saber de cara
Visão geral
A lipodistrofia parcial familiar PLIN1-relacionada é uma doença genética rara caracterizada pela perda progressiva de gordura subcutânea (tecido adiposo) em algumas regiões do corpo, especialmente nos membros e nádegas, associada a complicações metabólicas como resistência à insulina, diabetes e níveis elevados de triglicerídeos. A prevalência estimada é de menos de 1 caso por 1.000.000 de pessoas, sendo considerada uma condição ultrarrara. A herança é autossômica dominante, o que significa que uma cópia alterada do gene PLIN1 é suficiente para causar a doença. Os sintomas geralmente começam na infância.[1][2]
Sinais e sintomas
Os principais sinais e sintomas incluem perda de gordura subcutânea nos membros e na região glútea (lipoatrofia), acantose nigricans (manchas escuras e aveludadas na pele), resistência à insulina, diabetes mellitus resistente à insulina que geralmente surge na puberdade, hipertrigliceridemia (níveis altos de triglicerídeos no sangue), hipertensão arterial, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) e fibrose hepática. Também podem ocorrer hipertrofia dos músculos da panturrilha e de outros músculos esqueléticos, infertilidade, oligomenorreia (ciclos menstruais irregulares), ovários policísticos, aborto espontâneo, anormalidades hormonais circulantes e, em alguns casos, acidente vascular cerebral (AVC). Alterações no desenvolvimento do giro frontal inferior do cérebro também foram descritas.[1][2]
Causas genéticas
A doença é causada por variantes patogênicas no gene PLIN1, que codifica a proteína perilipina-1. Essa proteína é essencial para a formação e função das gotículas de gordura nos adipócitos (células de gordura). Mutações no PLIN1 prejudicam o armazenamento adequado de lipídios, levando à perda de gordura subcutânea e ao acúmulo anormal de gordura em outros tecidos, como fígado e músculos. A herança é autossômica dominante: cada filho de uma pessoa afetada tem 50% de chance de herdar a variante genética e desenvolver a condição.[1][3][4]
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica dos sinais característicos (perda de gordura nos membros e nádegas, resistência à insulina, hipertrigliceridemia) e confirmado por teste genético molecular que identifique variantes patogênicas no gene PLIN1. Atualmente, há 47 variantes reportadas no ClinVar e 9 testes genéticos disponíveis para a condição. O código CID-10 associado é E88.1 (Lipodistrofia não classificada em outra parte).[1][3][4]
Tratamento e manejo
Não há cura para a lipodistrofia parcial familiar PLIN1-relacionada. O manejo é multidisciplinar e foca no controle das complicações metabólicas e cardiovasculares. Inclui orientação nutricional, atividade física regular, monitoramento e tratamento da resistência à insulina, diabetes, hipertrigliceridemia e hipertensão. O acompanhamento com endocrinologista, hepatologista e cardiologista é frequentemente necessário. Não há medicamentos específicos aprovados para esta condição no Brasil, e o tratamento é baseado nas diretrizes para as comorbidades. Não há cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para procedimentos específicos da doença.[1][3]
Prognóstico e qualidade de vida
O prognóstico depende da gravidade das complicações metabólicas e do desenvolvimento de doenças cardiovasculares ou hepáticas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado das comorbidades podem melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações graves, como diabetes descontrolado, pancreatite por hipertrigliceridemia, esteato-hepatite e AVC. O suporte psicológico e genético é recomendado para pacientes e familiares.[1][2]
Conteúdo informativo gerado e mantido automaticamente a partir de fontes oficiais (Orphanet, HPO, OMIM, SUS). Não substitui avaliação médica.
A lipodistrofia parcial familiar PLIN1-relacionada é uma condição genética rara caracterizada pela perda de gordura sob a pele nas pernas, braços e nádegas. Como essa gordura não consegue se alojar nos locais corretos, ela se acumula no fígado e no sangue, causando triglicerídeos altos e diabetes de difícil controle. É frequente que as pessoas apresentem manchas escuras na pele em regiões de dobras (acantose nigricans) e aspecto muscular evidente. No Brasil, a condição ainda não possui um protocolo clínico oficial (PCDT) exclusivo no Ministério da Saúde, sendo acompanhada pela rede de saúde de acordo com cada sintoma.
Doença rara autossômica dominante causada por mutações no gene PLIN1, caracterizada por lipodistrofia parcial, resistência à insulina e esteatose hepática. Pode cursar com abortos espontâneos, AVC e diabetes mellitus.
Escala de raridade
<1/50kMuito rara
1/20kRara
1/10kPouco freq.
1/5kIncomum
1/2k
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Entender a doença
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Sinais e sintomas
O que aparece no corpo e com que frequência cada sintoma acontece
Partes do corpo afetadas
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Características mais comuns
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Abaixo estão as 24 características clínicas mais associadas, ordenadas por frequência.
Linha do tempo da pesquisa
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Genética e causas
O que está alterado no DNA e como passa nas famílias
Genes associados
1 gene identificado com associação a esta condição. Padrão de herança: Autosomal dominant.
Curadoria gene-doença
fontes oficiaisLipodystrophy, familial partial, 4
An autosomal dominant form of lipodystrophy characterized by loss of subcutaneous adipose tissue primarily affecting the lower limbs, insulin-resistant diabetes mellitus, hypertriglyceridemia, and hypertension.
Variantes genéticas (ClinVar)
47 variantes patogênicas registradas no ClinVar.
Classificação de variantes (ClinVar)
Distribuição de 23 variantes classificadas pelo ClinVar.
Vias biológicas (Reactome)
4 vias biológicas associadas aos genes desta condição.
Diagnóstico
Os sinais que médicos procuram e os exames que confirmam
Tratamento e manejo
Remédios, cuidados de apoio e o que precisa acompanhar
Onde tratar no SUS
Hospitais de referência no Brasil e o protocolo oficial do SUS (PCDT)
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Safety and effectiveness in an uncontrolled setting of glucagon-like-peptide-1 receptor agonists in patients with familial partial lipodystrophy: Real-life experience from a national reference network.
To describe the effects of Glucagon-like peptide-1 receptor agonists (GLP-1RA) in patients with familial partial lipodystrophy (FPLD) assessed in a real-life setting in a national reference network. We retrospectively collected clinical and metabolic parameters in patients with FPLD in the French lipodystrophy reference network, who initiated GLP-1RA. Data were recorded before, at one-year (12 ± 6 months) and at the latest follow-up on GLP-1RA therapy (≥18 months). Seventy-six patients (89.4% of women), diagnosed with LMNA-related FPLD2 (n = 57), PPARG-related FPLD3 (n = 4), PLIN1-related FPLD4 (n = 5) or FPLD1 (n = 10) initiated GLP-1RA therapy between 2008 and 2024. Patients were aged a median (IQR) 48 years (34.5-57), body mass index (BMI) was 26.0 kg/m2 (23.9-29.5), HbA1c 8.3% (7.5-9.3), triglycerides 2.31 mmol/L (1.62-3.88). GLP-1RA were used in addition to previously used antidiabetics, 50% of patients being insulin-treated. After one year with GLP-1RA therapy, BMI, HbA1c and triglycerides significantly decreased to 25.6 kg/m2 (22.7-29.1), 7.3% (6.6-8.3) and 1.97 mmol/L (1.5-3.2) respectively (p < 0.001, p < 0.001 and p < 0.01, respectively), without significant changes in other antidiabetic and lipid-lowering drugs. Gamma-glutamyl-transferase and alanine-aminotransferase levels also significantly decreased. Effects on HbA1c, BMI and triglycerides persisted in the long term. One case of acute pancreatitis occurred during follow-up, associated with severe hypertriglyceridemia in a non-observant patient. Gastrointestinal symptoms affected 34% of patients, leading to GLP-1RA withdrawal in six patients. GLP-1RA significantly improved BMI, HbA1c and triglycerides in a large majority of patients with FPLD. Larger and prospective controlled studies are warranted for identification of predictive factors and safety.
Hypertriglyceridemia Results From an Impaired Catabolism of Triglyceride-Rich Lipoproteins in PLIN1-Related Lipodystrophy.
Pathogenic variants in PLIN1-encoding PLIN1 (perilipin-1) are responsible for an autosomal dominant form of familial partial lipodystrophy (FPL) associated with severe insulin resistance, hepatic steatosis, and important hypertriglyceridemia. This study aims to decipher the mechanisms of hypertriglyceridemia associated with PLIN1-related FPL. We performed an in vivo lipoprotein kinetic study in 6 affected patients compared with 13 healthy controls and 8 patients with type 2 diabetes. Glucose and lipid parameters, including plasma LPL (lipoprotein lipase) mass, were measured. LPL mRNA and protein expression were evaluated in abdominal subcutaneous adipose tissue from patients with 5 PLIN1-mutated FPL and 3 controls. Patients with PLIN1-mutated FPL presented with decreased fat mass, insulin resistance, and diabetes (glycated hemoglobin A1c, 6.68±0.70% versus 7.48±1.63% in patients with type 2 diabetes; mean±SD; P=0.27). Their plasma triglycerides were higher (5.96±3.08 mmol/L) than in controls (0.76±0.27 mmol/L; P<0.0001) and patients with type 2 diabetes (2.94±1.46 mmol/L, P=0.006). Compared with controls, patients with PLIN1-related FPL had a significant reduction of the indirect fractional catabolic rate of VLDL (very-low-density lipoprotein)-apoB100 toward IDL (intermediate-density lipoprotein)/LDL (low-density lipoprotein; 1.79±1.38 versus 5.34±2.45 pool/d; P=0.003) and the indirect fractional catabolic rate of IDL-apoB100 toward LDL (2.14±1.44 versus 7.51±4.07 pool/d; P=0.005). VLDL-apoB100 production was not different between patients with PLIN1-related FPL and controls. Compared with patients with type 2 diabetes, patients with PLIN1-related FPL also showed a significant reduction of the catabolism of both VLDL-apoB100 (P=0.031) and IDL-apoB100 (P=0.031). Plasma LPL mass was significantly lower in patients with PLIN1-related FPL than in controls (21.03±10.08 versus 55.76±13.10 ng/mL; P<0.0001), although the LPL protein expression in adipose tissue was similar. VLDL-apoB100 and IDL-apoB100 indirect fractional catabolic rates were negatively correlated with plasma triglycerides and positively correlated with LPL mass. We show that hypertriglyceridemia associated with PLIN1-related FPL results from a marked decrease in the catabolism of triglyceride-rich lipoproteins (VLDL and IDL). This could be due to a pronounced reduction in LPL availability, related to the decreased adipose tissue mass.
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Diabetes, obesity & metabolismHypertriglyceridemia Results From an Impaired Catabolism of Triglyceride-Rich Lipoproteins in PLIN1-Related Lipodystrophy.
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Ela é causada por mutações genéticas no gene PLIN1, responsável pela produção da proteína perilipina-1. Essa falha genética prejudica o armazenamento adequado de gordura nas células adiposas.
Referências
Fontes citadas no texto, publicações do grafo e bases de dados usadas neste verbete
5 fontes citadas no texto · 2 publicações do grafo RarasNet (PubMed) · 5 bases de dados. Títulos, periódicos e PMIDs vêm direto da fonte, sem intermediação de IA.
Dados compilados pelo RarasNet a partir de fontes abertas (Orphanet, OMIM, MONDO, PubMed/EuropePMC, ClinicalTrials.gov, DATASUS, PCDT/MS). Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.
Citar este verbete
Raras. (2026). Lipodistrofia parcial familiar PLIN1-relacionada. Em Raras — Enciclopédia de Doenças Raras do Brasil. https://raras.org/doenca/lipodistrofia-parcial-familiar-plin1-relacionada
Formato APA. Conteúdo sob CC BY 4.0 — reuso livre com atribuição.
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Lipodistrofia parcial familiar PLIN1-relacionada
📋 Origem dos dados
Esta página agrega dados de fontes públicas e oficiais. Dados sobre cobertura no SUS (PCDT, CEAF) são verificados ativamente por agente proativo (ver badge no infobox). Demais dados têm atribuição de fonte + data da última sincronização — clique para abrir o original.
- Doença rara (ontologia)
- fonte: Orphanet
- Identificador unificado
- fonte: MONDO
- Genética mendeliana
- fonte: OMIM
- Codificação WHO/SUS
- fonte: WHO ICD-10 / DATASUS
- CID-11 (futuro)
- fonte: WHO ICD-11
- NIH/GARD
- fonte: GARD (NIH)
- Dado público estruturado
- fonte: Wikidata