Doença rara autossômica recessiva associada ao gene CLTCL1. Caracteriza-se por insensibilidade congênita à dor, grave deficiência intelectual e múltiplos achados neurológicos e dismórficos, como crises epilépticas, micrognatia e pé torto.
Introdução
O que você precisa saber de cara
Visão geral
A insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave é uma doença genética raríssima, que afeta menos de 1 em cada 1.000.000 de pessoas. Ela se manifesta já no período neonatal e é caracterizada pela incapacidade de sentir dor, associada a um atraso global grave do desenvolvimento intelectual. A condição é herdada de forma autossômica recessiva, ou seja, ambos os pais precisam carregar uma cópia do gene alterado para que a criança seja afetada.[1][2]
Sinais e sintomas
Os principais sinais e sintomas incluem insensibilidade à dor, automutilação (como morder a própria língua ou lábios), fraturas recorrentes, osteomielite (infecção óssea), luxação congênita bilateral do quadril, pé torto equinovalgo, encurvamento tibial e pé em mata-borrão. Também são frequentes alterações oculares como ceratite, erosão corneana, estrabismo e nistagmo em gangorra. No sistema nervoso, podem ocorrer descargas epileptiformes multifocais, crises tônico-clônicas bilaterais, hipotonia do lactente, mielinização atrasada do sistema nervoso central e atraso global grave do desenvolvimento. Outros achados incluem micrognatia (queixo pequeno), fissura palpebral curta, nariz proeminente, formato facial anormal, oligodramnia (pouco líquido amniótico durante a gestação), hipodesenvolvimento de membro, pequeno para a idade gestacional e necessidade de alimentação por sonda nasogástrica na infância.[1][2]
Causas genéticas
A doença é causada por alterações (variantes patogênicas) no gene CLTCL1, que fornece instruções para a produção da proteína clatrina heavy chain 2. Essa proteína é essencial para o funcionamento adequado de vesículas dentro das células, especialmente em neurônios. As mutações nesse gene levam à perda da sensibilidade à dor e ao comprometimento grave do desenvolvimento intelectual.[1][3]
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica dos sintomas característicos e confirmado por testes genéticos. O sequenciamento completo do exoma (WES) é o principal exame utilizado para identificar variantes no gene CLTCL1. Atualmente, há 37 testes genéticos disponíveis e 383 variantes registradas no ClinVar associadas a essa condição. O código CID-10 correspondente é G60.8.[1][3]
Tratamento e manejo
Não há cura para a doença, e o tratamento é multidisciplinar, focado no manejo dos sintomas e na prevenção de complicações. A ausência de dor exige vigilância constante para detectar fraturas, infecções (como osteomielite) e lesões oculares (ceratite, erosão corneana). A automutilação pode necessitar de proteção mecânica (luvas, protetores bucais) e acompanhamento comportamental. As crises epilépticas devem ser tratadas conforme protocolos padrão. A alimentação por sonda nasogástrica pode ser necessária na infância. O atendimento em reabilitação para doenças raras está disponível no SUS, com cobertura mínima garantida.[1]
Prognóstico e qualidade de vida
O prognóstico é reservado devido ao atraso global grave do desenvolvimento e às complicações decorrentes da insensibilidade à dor (fraturas recorrentes, infecções ósseas, lesões oculares). A qualidade de vida depende do suporte multidisciplinar precoce, da prevenção de lesões e do manejo adequado das crises epilépticas. O acompanhamento regular com neurologista, oftalmologista, ortopedista e equipe de reabilitação é essencial.[1][2]
Conteúdo informativo gerado e mantido automaticamente a partir de fontes oficiais (Orphanet, HPO, OMIM, SUS). Não substitui avaliação médica.
A insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave é uma doença genética rara que se manifesta já no recém-nascido. Ela provoca a incapacidade de sentir dor física, além de atraso importante no aprendizado e no desenvolvimento dos movimentos corporais. Como a criança não percebe a dor, a família costuma notar feridas acidentais, machucados nos olhos ou fraturas ósseas recorrentes. Não existe um medicamento curativo no Brasil ou no exterior, e a condição não possui um protocolo clínico PCDT específico no Ministério da Saúde. No SUS, o apoio à família é feito por meio de procedimentos de exoma diagnóstico e terapias de reabilitação multiprofissional.
Doença rara autossômica recessiva associada ao gene CLTCL1. Caracteriza-se por insensibilidade congênita à dor, grave deficiência intelectual e múltiplos achados neurológicos e dismórficos, como crises epilépticas, micrognatia e pé torto.
Escala de raridade
<1/50kMuito rara
1/20kRara
1/10kPouco freq.
1/5kIncomum
1/2k
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Entender a doença
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Sinais e sintomas
O que aparece no corpo e com que frequência cada sintoma acontece
Partes do corpo afetadas
+ 11 sintomas em outras categorias
Características mais comuns
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Abaixo estão as 29 características clínicas mais associadas, ordenadas por frequência.
Linha do tempo da pesquisa
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Genética e causas
O que está alterado no DNA e como passa nas famílias
Genes associados
1 gene identificado com associação a esta condição. Padrão de herança: Autosomal recessive.
Variantes genéticas (ClinVar)
383 variantes patogênicas registradas no ClinVar.
Vias biológicas (Reactome)
5 vias biológicas associadas aos genes desta condição.
Diagnóstico
Os sinais que médicos procuram e os exames que confirmam
Tratamento e manejo
Remédios, cuidados de apoio e o que precisa acompanhar
Onde tratar no SUS
Hospitais de referência no Brasil e o protocolo oficial do SUS (PCDT)
🇧🇷 Atendimento SUS — Insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave
Centros de Referência SUS
37 centros habilitados pelo SUS para Insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave
Centros para Insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave
Detalhes dos centros
Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (HUPES)
R. Dr. Augusto Viana, s/n - Canela, Salvador - BA, 40110-060 · CNES 0003808
Serviço de Referência
Hospital Infantil Albert Sabin
R. Tertuliano Sales, 544 - Vila União, Fortaleza - CE, 60410-794 · CNES 2407876
Serviço de Referência
Hospital Infantil Albert Sabin
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Serviço de Referência
Hospital de Apoio de Brasília (HAB)
AENW 3 Lote A Setor Noroeste - Plano Piloto, Brasília - DF, 70684-831 · CNES 0010456
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (HIABA)
Av. Min. Salgado Filho, 918 - Soteco, Vila Velha - ES, 29106-010 · CNES 6631207
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital das Clínicas da UFG
Rua 235 QD. 68 Lote Área, Nº 285, s/nº - Setor Leste Universitário, Goiânia - GO, 74605-050 · CNES 2338424
Serviço de Referência
Hospital Universitário da UFJF
R. Catulo Breviglieri, Bairro - s/n - Santa Catarina, Juiz de Fora - MG, 36036-110 · CNES 2297442
Atenção Especializada
Hospital das Clínicas da UFMG
Av. Prof. Alfredo Balena, 110 - Santa Efigênia, Belo Horizonte - MG, 30130-100 · CNES 2280167
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital Universitário Julio Müller (HUJM)
R. Luis Philippe Pereira Leite, s/n - Alvorada, Cuiabá - MT, 78048-902 · CNES 2726092
Atenção Especializada
Hospital Universitário João de Barros Barreto
R. dos Mundurucus, 4487 - Guamá, Belém - PA, 66073-000 · CNES 2337878
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW)
R. Tabeliao Estanislau Eloy, 585 - Castelo Branco, João Pessoa - PB, 58050-585 · CNES 0002470
Atenção Especializada
Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP)
R. dos Coelhos, 300 - Boa Vista, Recife - PE, 50070-902 · CNES 0000647
Serviço de Referência
Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP)
R. dos Coelhos, 300 - Boa Vista, Recife - PE, 50070-902 · CNES 0000647
Serviço de Referência
Hospital Pequeno Príncipe
R. Des. Motta, 1070 - Água Verde, Curitiba - PR, 80250-060 · CNES 3143805
Serviço de Referência
Hospital Pequeno Príncipe
R. Des. Motta, 1070 - Água Verde, Curitiba - PR, 80250-060 · CNES 3143805
Serviço de Referência
Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM)
Av. Mandacaru, 1590 - Parque das Laranjeiras, Maringá - PR, 87083-240 · CNES 2216108
Atenção Especializada
Hospital de Clínicas da UFPR
R. Gen. Carneiro, 181 - Alto da Glória, Curitiba - PR, 80060-900 · CNES 2364980
Serviço de Referência
Hospital de Clínicas da UFPR
R. Gen. Carneiro, 181 - Alto da Glória, Curitiba - PR, 80060-900 · CNES 2364980
Serviço de Referência
Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ)
Blvd. 28 de Setembro, 77 - Vila Isabel, Rio de Janeiro - RJ, 20551-030 · CNES 2280221
Serviço de Referência
Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)
Av. Rui Barbosa, 716 - Flamengo, Rio de Janeiro - RJ, 22250-020 · CNES 2269988
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital São Lucas da PUCRS
Av. Ipiranga, 6690 - Jardim Botânico, Porto Alegre - RS, 90610-000 · CNES 2232928
Serviço de Referência
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)
Rua Ramiro Barcelos, 2350 Bloco A - Av. Protásio Alves, 211 - Bloco B e C - Santa Cecília, Porto Alegre - RS, 90035-903 · CNES 2237601
Serviço de Referência
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Serviço de Referência
Hospital Universitário da UFSC (HU-UFSC)
R. Profa. Maria Flora Pausewang - Trindade, Florianópolis - SC, 88036-800 · CNES 2560356
Serviço de Referência
Hospital das Clínicas da FMUSP
R. Dr. Ovídio Pires de Campos, 225 - Cerqueira César, São Paulo - SP, 05403-010 · CNES 2077485
Serviço de Referência
Hospital das Clínicas da FMUSP
R. Dr. Ovídio Pires de Campos, 225 - Cerqueira César, São Paulo - SP, 05403-010 · CNES 2077485
Serviço de Referência
Hospital de Base de São José do Rio Preto
Av. Brg. Faria Lima, 5544 - Vila Sao Jose, São José do Rio Preto - SP, 15090-000 · CNES 2079798
Atenção Especializada
Hospital de Clínicas da UNICAMP
R. Vital Brasil, 251 - Cidade Universitária, Campinas - SP, 13083-888 · CNES 2748223
Serviço de Referência
Hospital de Clínicas da UNICAMP
R. Vital Brasil, 251 - Cidade Universitária, Campinas - SP, 13083-888 · CNES 2748223
Serviço de Referência
Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP)
R. Ten. Catão Roxo, 3900 - Vila Monte Alegre, Ribeirão Preto - SP, 14015-010 · CNES 2082187
Serviço de Referência
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R. Ten. Catão Roxo, 3900 - Vila Monte Alegre, Ribeirão Preto - SP, 14015-010 · CNES 2082187
Serviço de Referência
UNIFESP / Hospital São Paulo
R. Napoleão de Barros, 715 - Vila Clementino, São Paulo - SP, 04024-002 · CNES 2688689
Serviço de Referência
Dados de DATASUS/CNES, SBGM, ABNeuro e Ministério da Saúde. Sempre confirme a disponibilidade diretamente com o estabelecimento.
Pesquisa ativa
Ensaios clínicos abertos e novidades científicas recentes
Pesquisa e ensaios clínicos
Nenhum ensaio clínico registrado para esta condição.
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Referências
Fontes citadas no texto, publicações do grafo e bases de dados usadas neste verbete
4 fontes citadas no texto · 5 publicações do grafo RarasNet (PubMed) · 5 bases de dados. Títulos, periódicos e PMIDs vêm direto da fonte, sem intermediação de IA.
Dados compilados pelo RarasNet a partir de fontes abertas (Orphanet, OMIM, MONDO, PubMed/EuropePMC, ClinicalTrials.gov, DATASUS, PCDT/MS). Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.
Citar este verbete
Raras. (2026). Insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave. Em Raras — Enciclopédia de Doenças Raras do Brasil. https://raras.org/doenca/insensibilidade-congenita-a-dor-com-perturbacao-do-desenvolvimento-intelectual-grave
Formato APA. Conteúdo sob CC BY 4.0 — reuso livre com atribuição.
Conteúdo mantido por Agente Raras · Médicos e pesquisadores podem colaborar
Insensibilidade congênita à dor com perturbação do desenvolvimento intelectual grave
📋 Origem dos dados
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- Doença rara (ontologia)
- fonte: Orphanet
- Identificador unificado
- fonte: MONDO
- Codificação WHO/SUS
- fonte: WHO ICD-10 / DATASUS
- NIH/GARD
- fonte: GARD (NIH)
- Dado público estruturado
- fonte: Wikidata