Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, ou doença de Alpers, é qualquer um de um grupo de distúrbios autossômicos recessivos que causam uma queda significativa no DNA mitocondrial nos tecidos afetados. Os sintomas podem ser qualquer combinação de miopáticos, hepatopáticos ou encefalomiopáticos. Essas síndromes afetam o tecido no músculo, no fígado ou tanto no músculo quanto no cérebro, respectivamente. A condição é tipicamente fatal na infância e na primeira infância, embora alguns tenham sobrevivido até a adolescência com a variante miopática e alguns tenham sobrevivido até a idade adulta com a variante encefalomiopática SUCLA2. Atualmente, não há tratamento curativo para nenhuma forma de MDDS, embora alguns tratamentos preliminares tenham mostrado uma redução nos sintomas.
Introdução
O que você precisa saber de cara
Visão geral
A Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral, é uma doença genética rara que afeta principalmente o fígado e o cérebro. Ela faz parte de um grupo de condições chamadas síndromes de depleção do DNA mitocondrial, nas quais a quantidade de DNA dentro das mitocôndrias (as 'usinas de energia' das células) é drasticamente reduzida, comprometendo a produção de energia celular. Os sintomas geralmente começam muito cedo na vida, ainda no período neonatal (primeiros dias de vida) ou durante a infância.[1][2]
Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas da forma hepatocerebral são variados e podem incluir: dificuldades para se alimentar desde bebê, refluxo gastroesofágico, temperatura corporal baixa (hipotermia), movimentos oculares anormais, alterações na visão (incluindo cegueira), reflexos exagerados (hiperreflexia) ou reduzidos, espasticidade (rigidez muscular progressiva), paraparesia (fraqueza nas pernas), coreoatetose (movimentos involuntários), crises epilépticas (de início focal ou tônico-clônicas bilaterais), coma, alterações do sistema nervoso autônomo, hipertensão portal (pressão alta na veia que leva sangue ao fígado), trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas), aminoacidúria generalizada (excesso de aminoácidos na urina) e acidúria 3-metilglutacônica (substância ácida na urina). A degeneração cerebral é uma característica central da doença.[1][2]
Causas genéticas
A síndrome é causada por mutações em genes essenciais para a manutenção e replicação do DNA mitocondrial. Os genes já associados a esta condição são: TWNK (que codifica a helicase Twinkle do mtDNA), MPV17 (proteína da membrana interna mitocondrial Mpv17), POLG (subunidade gama-1 da DNA polimerase) e DGUOK (desoxiguanosina quinase mitocondrial). Mutações nesses genes levam à depleção (redução) do DNA mitocondrial, especialmente em tecidos com alta demanda energética, como fígado e cérebro.[1][3]
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica dos sintomas, exames laboratoriais (como a detecção de aminoacidúria e acidúria 3-metilglutacônica) e, principalmente, por meio de testes genéticos. Atualmente, existem 59 testes genéticos disponíveis para esta condição, e mais de 1.200 variantes genéticas foram registradas no banco de dados ClinVar. A confirmação molecular é fundamental para diferenciar esta síndrome de outras doenças mitocondriais.[1][3][4]
Tratamento e manejo
Até o momento, não há um tratamento curativo ou medicamento específico aprovado para a Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral. O manejo é multidisciplinar e focado no alívio dos sintomas e suporte às funções hepática e neurológica. Não há cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para esta condição no Brasil. O acompanhamento deve ser feito por uma equipe especializada em doenças raras e mitocondriais.[1][4]
Tratamentos citados na literatura
A literatura científica (fonte: PubTator3) menciona algumas substâncias que foram estudadas em associação com esta doença, mas é importante destacar que NÃO se trata de recomendações de tratamento. As substâncias listadas são: 8-Hidroxi-2'-desoxiguanosina (1 publicação), Aminoácidos de cadeia ramificada (1 publicação), Ácido cítrico (1 publicação), DG-8-AF (1 publicação), Desoxirribonucleotídeos (1 publicação), Ácido tricloroacético (1 publicação), Ureia (1 publicação), Desoxiguanosina trifosfato (1 publicação), 2'-desoxiguanosina-5'-fosfato (1 publicação) e Desoxiguanosina (1 publicação). Esses dados são resultados de pesquisas experimentais e não devem ser interpretados como terapias estabelecidas.[4]
Prognóstico e qualidade de vida
O prognóstico para a forma hepatocerebral da síndrome de depleção do DNA mitocondrial é geralmente reservado, devido à gravidade do comprometimento hepático e neurológico, com início precoce dos sintomas. A qualidade de vida pode ser significativamente afetada, exigindo cuidados intensivos e suporte contínuo. Cada caso é único, e o acompanhamento médico regular é essencial para adaptar as estratégias de suporte às necessidades individuais do paciente.[1][2]
Conteúdo informativo gerado e mantido automaticamente a partir de fontes oficiais (Orphanet, HPO, OMIM, SUS). Não substitui avaliação médica.
A síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral, é uma condição genética rara que se manifesta nos primeiros meses de vida ou na infância. Ela provoca principalmente alterações no fígado e no cérebro, podendo causar rigidez nos músculos, convulsões, problemas alimentares e inchaço corporal. A condição decorre de mutações em genes essenciais como POLG, DGUOK, MPV17 ou TWNK, responsáveis pelo bom funcionamento das mitocôndrias. No Brasil, a síndrome não possui um protocolo específico (PCDT) no Ministério da Saúde, e os cuidados pelo SUS focam no alívio e controle dos sintomas.
Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, ou doença de Alpers, é qualquer um de um grupo de distúrbios autossômicos recessivos que causam uma queda significativa no DNA mitocondrial nos tecidos afetados. Os sintomas podem ser qualquer combinação de miopáticos, hepatopáticos ou encefalomiopáticos. Essas síndromes afetam o tecido no músculo, no fígado ou tanto no músculo quanto no cérebro, respectivamente. A condição é tipicamente fatal na infância e na primeira infância, embora alguns tenham sobrevivido até a adolescência com a variante miopática e alguns tenham sobrevivido até a idade adulta com a variante encefalomiopática SUCLA2. Atualmente, não há tratamento curativo para nenhuma forma de MDDS, embora alguns tratamentos preliminares tenham mostrado uma redução nos sintomas.
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Entender a doença
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Sinais e sintomas
O que aparece no corpo e com que frequência cada sintoma acontece
Partes do corpo afetadas
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Características mais comuns
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Abaixo estão as 253 características clínicas mais associadas, ordenadas por frequência.
Linha do tempo da pesquisa
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Genética e causas
O que está alterado no DNA e como passa nas famílias
Genes associados
4 genes identificados com associação a esta condição.
Progressive external ophthalmoplegia with mitochondrial DNA deletions, autosomal dominant, 3
A disorder characterized by progressive weakness of ocular muscles and levator muscle of the upper eyelid. In a minority of cases, it is associated with skeletal myopathy, which predominantly involves axial or proximal muscles and which causes abnormal fatigability and even permanent muscle weakness. Ragged-red fibers and atrophy are found on muscle biopsy. A large proportion of chronic ophthalmoplegias are associated with other symptoms, leading to a multisystemic pattern of this disease. Additional symptoms are variable, and may include cataracts, hearing loss, sensory axonal neuropathy, ataxia, depression, hypogonadism, and parkinsonism.
Mitochondrial DNA depletion syndrome 6
A disease due to mitochondrial dysfunction. It is characterized by infantile onset of progressive liver failure, often leading to death in the first year of life, peripheral neuropathy, corneal scarring, acral ulceration and osteomyelitis leading to autoamputation, cerebral leukoencephalopathy, failure to thrive, and recurrent metabolic acidosis with intercurrent infections.
Progressive external ophthalmoplegia with mitochondrial DNA deletions, autosomal dominant, 1
A disorder characterized by progressive weakness of ocular muscles and levator muscle of the upper eyelid. In a minority of cases, it is associated with skeletal myopathy, which predominantly involves axial or proximal muscles and which causes abnormal fatigability and even permanent muscle weakness. Ragged-red fibers and atrophy are found on muscle biopsy. A large proportion of chronic ophthalmoplegias are associated with other symptoms, leading to a multisystemic pattern of this disease. Additional symptoms are variable, and may include cataracts, hearing loss, sensory axonal neuropathy, ataxia, depression, hypogonadism, and parkinsonism.
Mitochondrial DNA depletion syndrome 3
A disorder due to mitochondrial dysfunction characterized by onset in infancy of progressive liver failure, hypoglycemia, increased lactate in body fluids, and neurologic abnormalities including hypotonia, encephalopathy, peripheral neuropathy. Affected tissues show both decreased activity of the mtDNA-encoded respiratory chain complexes and mtDNA depletion.
Medicamentos aprovados (FDA)
1 medicamento encontrado nos registros da FDA americana.
Variantes genéticas (ClinVar)
1.224 variantes patogênicas registradas no ClinVar.
Classificação de variantes (ClinVar)
Distribuição de 18 variantes classificadas pelo ClinVar.
Vias biológicas (Reactome)
5 vias biológicas associadas aos genes desta condição.
Diagnóstico
Os sinais que médicos procuram e os exames que confirmam
Tratamento e manejo
Remédios, cuidados de apoio e o que precisa acompanhar
Onde tratar no SUS
Hospitais de referência no Brasil e o protocolo oficial do SUS (PCDT)
🇧🇷 Atendimento SUS — Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral
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Publicações mais relevantes
MPV17-related Hepatocerebral Mitochondrial DNA Depletion Syndrome.
Mitochondrial DNA (mtDNA) depletion syndrome comprises diseases resulting from a deficiency of proteins involved in mtDNA synthesis. MPV17 is a mitochondrial membrane protein whose mutation causes mitochondrial deoxynucleotide insufficiency. MPV17-related hepatocerebral mtDNA depletion syndrome is a rare autosomal recessive disease. This case report describes the clinical manifestations of MPV17-related hepatocerebral mtDNA depletion syndrome analyzed by performing whole-exome sequencing (WES). A 17-month-old girl presented with developmental delay, jaundice, and failure to thrive. The laboratory findings revealed cholestatic hepatitis, increased lactate-to-pyruvate ratio, and prolongation of the prothrombin time. She developed a hypoglycemic seizure. Brain magnetic resonance imaging revealed extensive demyelination of the white matter. WES detected the p.Leu151fs and p.Pro98Leu variants in MPV17. Her parents and sibling were found to be MPV17 heterozygous carriers. She was administered supportive treatment, such as replacement of fat-soluble vitamins and cornstarch to prevent further hypoglycemic events. The patient is currently being considered for liver transplantation. Overall, WES can help diagnose hepatocerebral mtDNA depletion syndrome in patients with hepatopathy, developmental delay, lactic acidosis, and hypomyelination based on brain magnetic resonance imaging.
A novel homozygous variant in MICOS13/QIL1 causes hepato-encephalopathy with mitochondrial DNA depletion syndrome.
Mitochondrial DNA depletion syndrome (MTDPS) is part of a group of mitochondrial diseases characterized by a reduction in mitochondrial DNA copy number. Most MTDPS is caused by mutations in genes that disrupt deoxyribonucleotide metabolism. We performed the whole-exome sequencing of a hepato-encephalopathy patient with MTDPS and functional analyses to determine the clinical significance of the identified variant. Here, whole-exome sequencing of a patient presenting with hepato-encephalopathy and MTDPS identified a novel homozygous frameshift variant, c.13_29del (p.Trp6Profs*71) in MICOS13. MICOS13 (also known as QIL1, MIC13, or C19orf70) is a component of the MICOS complex, which plays crucial roles in the maintenance of cristae junctions at the mitochondrial inner membrane. We found loss of MICOS13 protein and fewer cristae structures in the mitochondria of fibroblasts derived from the patient. Stable expression of a wild-type MICOS13 cDNA in the patients fibroblasts using a lentivirus system rescued mitochondrial respiratory chain complex deficiencies. Our findings suggest that the novel c.13_29del (p.Trp6Profs*71) MICOS13 variant causes hepato-encephalopathy with MTDPS. We propose that MICOS13 is classified as the cause of MTDPS.
Liver pathology in hepato-cerebral mitochondrial depletion syndromes due to POLG1, DGUOK, 146or MPV17 variants.
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Polish journal of pathology : official journal of the Polish Society of PathologistsAssociações
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Doença com base genética
Um médico geneticista pode ajudar no diagnóstico de Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral e no aconselhamento genético da família.
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O que as famílias mais perguntam sobre esta doença — cada resposta com a fonte de onde saiu
É um grupo de doenças genéticas raras que compromete o funcionamento das mitocôndrias. Apresenta início nos períodos neonatal e na infância, afetando primariamente o fígado e o cérebro.
Referências
Fontes citadas no texto, publicações do grafo e bases de dados usadas neste verbete
5 fontes citadas no texto · 4 publicações do grafo RarasNet (PubMed) · 5 bases de dados. Títulos, periódicos e PMIDs vêm direto da fonte, sem intermediação de IA.
Dados compilados pelo RarasNet a partir de fontes abertas (Orphanet, OMIM, MONDO, PubMed/EuropePMC, ClinicalTrials.gov, DATASUS, PCDT/MS). Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.
Citar este verbete
Raras. (2026). Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral. Em Raras — Enciclopédia de Doenças Raras do Brasil. https://raras.org/doenca/sindrome-de-deplecao-do-dna-mitocondrial-forma-hepatocerebral
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Síndrome de depleção do DNA mitocondrial, forma hepatocerebral
📋 Origem dos dados
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- Doença rara (ontologia)
- fonte: Orphanet
- Identificador unificado
- fonte: MONDO
- NIH/GARD
- fonte: GARD (NIH)
- Indexação biomédica
- fonte: MeSH (NLM)
- Dado público estruturado
- fonte: Wikidata
- Medicamentos aprovados FDA
- fonte: FDA OpenFDA